Cinema - Cultura - Comportamento
(Inglaterra, 2007). De Anton Corbjin. Com Sam Riley, Samantha Morton. Daylight. Projeção: 2.35:1. 122 min.
A figura de Ian Curtis desperta certa fascinação que o torna bastante atrativo para determinados cineastas. Infelizmente, Curtis não parece dar muita sorte com seus biógrafos. Depois da vampirização vergonhosa das seqüências com Joy Division de A Festa Nunca Termina, temos este Control. Como Anton Corbjin conheceu a banda, não surpreende que ele não se interesse em especial pelo lado mitológico da figura de Curtis que interessa charlatões como Michael Winterbottom. Infelizmente, seu filme carece completamente de um ponto de vista que o sustente.
O foco de Control foi limitado de ponto de partida por uma questão extra-filme, já que após os demais membros do Joy Division se recusarem a colaborar, o cineasta terminou optando por seguir de perto a autobiografia da viúva de Curtis, com a conseqüência óbvia de que tudo que justifica a se construir um filme sobre ele seja restringido em Control à trilha sonora e a presença impressionante do ator Sam Riley. Claro que existe um sem número de filmes que possam ser construídos a partir de qualquer material e não é justo julgar o trabalho de Corbjin pelo que ele não é; o problema é justamente que ele não é nada. Precário como dramaturgia e incapaz de sugerir o universo do seu protagonista para além de um esboço vago, Control é uma versão mais elegante, mas igualmente quadrada, de cinebiografias recentes como Ray e Johnny & June (apesar de que poderia se argumentar que estes filmes são mais bem sucedidos nestes termos).
Corbjin é um fotógrafo de grande talento e tenta lançar mão disso para compensar esta ausência de olhar. Há em Control todo um cuidado plástico, toda uma imagem empetecada em busca de um tom grave que os stills de Corbjin sempre foram tão hábeis em traduzir, mas que parece elidir suas imagens em movimento. Não se trata de apostar na mera poeira nos olhos, mas numa tentativa frustrada de aproximar o filme do meio habitual do diretor. Como cineasta, parece escapar a Corbjin que estas duas imagens não têm o mesmo significado, Control faz parte da série de filmes recentes cujas imagens provavelmente se reproduzem muito melhor. Não há potência numa imagem desprovida de olhar e o de Corbjin parece condenado a permanecer estático.
Filipe Furtado
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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