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(Warner)

Quando surgiu o primeiro LP, Broken Boy Soldiers, desta banda paralela de Jack White, era fácil notar as diferenças com o White Stripes. The Raconteurs se aprofundava nas melodias bobinhas, num clima mais new wave, e incorporava essas influências em um som roqueiro e festeiro, com algumas passagens acústicas para dar o respiro necessário, enquanto o White Stripes sempre foi blues pesado, ora resvalando no heavy metal, ora no bubblegum.
Consolers of the Lonely se aproxima tanto da sonoridade da matriz que já fica difícil não lembrar de discos superiores como Elephant ou De Stijl, enquanto o escutamos. Veja "Salute Your Solution", "Top Yourself" ou "Five on the Five", por exemplo. Percebe-se apenas que a bateria não é primária, mas, de resto, poderiam muito bem estar em Icky Thump que ninguém estranharia. E aí voltam as suspeitas de que White quer apenas levantar a bola de seu velho amigo Brendan Benson. Mas será que se White sair a banda continua recebendo luzes de holofotes? Sinceramente, desconfio que não. Quase todas as faixas são creditadas a Benson e White, mas não dá para sentir algo desafiador e arriscado como sentimos, por exemplo, nos projetos paralelos de Damon Albarn. O que não significa que o disco seja fraco, vejam bem. Apenas é uma caminhada em terreno mais do que seguro.
Algumas faixas se destacam nessa jornada tranquila, mas barulhenta. A bela balada "You Don't Understand", por exemplo, é uma das que fogem um pouco da sonoridade do Stripes, ainda que se ancore também em Led Zeppelin e Free, por exemplo, para chegar num lugar um pouquinho diferente. "Old Enough" já retoma o tom de Broken Boy Soldiers, mais bucólico, polido, lírico, outra bela balada country. E "The Switch and the Spur" lembra Sparks, acreditem se quiser. Podemos destacar também outra balada, "Many Shades of Black", que, como outras, utiliza muito bem os metais como ponto de diferenciação, do tipo: "ah, mas os Raconteurs usam mais metais, não são os White Stripes". Ok, mas então para que comparar? Porque lembram a outra banda, queiram ou não os fãs de Jack White, de White e Benson, ou de Meg White.
Sérgio Alpendre
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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