Os Invisiveis - Revolução 1

Roteiro de Grant Morrison
Arte de Steve Yeowell, Jill Thompson e outros
Pixel Media 17x24cm. 228pagss. R$44,90



Grant Morrison escreveu entre 1994 e 2000 uma das mais conceituadas e importantes obras dos quadrinhos. Repleta de referências à literatura, cultura pop, filosofia, teoria do caos, xamanismo entre outras coisas, o encadernado Os Invisíveis – Revolução 1 mostra a atuação de um grupo anarco-terrorista que pretende libertar nosso mundo de um inimigo surpreendente que a todos nós domina. Esse é apenas o primeiro encadernado e para a compreensão total da obra será necessário a publicação dos demais volumes.

Ainda mais importante que divulgar esse lançamento é concluir que finalmente os quadrinhos estão recebendo o respeito que merecem pelo mercado editorial.

Que Os Invisíveis – Revolução 1 é uma edição indispensável na coleção de qualquer pessoa que se auto-intitule um leitor de quadrinhos não se discute, assim sendo, podemos nos ater a questão que realmente importa: a relevância da Pixel Media em programar esse lançamento. No passado Os Invisíveis já foram publicados por aqui, primeiro em uma edição fora de cronologia que apenas instigou o apetite dos aficionados, depois edições solo foram lançadas, mas com vida curta.

As edições encadernadas importadas eram inacessíveis para a grande maioria dos leitores e de nada adiantaria uma edição nacional mal feita que não fizesse jus ao material ou que não garantisse a continuidade do mesmo. Há tempos o leitor de quadrinhos no Brasil sofre com o descaso das editoras que ainda pensam que esse tipo de material é destinado apenas às crianças. Os chamados quadrinhos adultos ou graphic-novels são dirigidos para um público especifico que pode e deseja comprar suas edições editadas de forma correta.

Pelo volume de páginas e informações, Os Invisíveis só poderiam ser publicados na forma de trade paper backs ou como convencionou-se chamar aqui “encadernados”.

Ponto para a Pixel Media que mostra sua sintonia com o leitor e atende uma fatia do mercado que estava esquecida. A Pixel Media, aliás, vem consagrando-se com seus encadernados e edições mensais como a Pixel Magazine de longe a melhor revista mensal com quadrinhos em “mix” disponível no mercado.

O outro ponto que vale destacar em Os Invisíveis é que muito tem se falado de como a trilogia de filmes Matrix foi inspirada nestes quadrinhos ou até mesmo seria um plágio.

O verdadeiro leitor de quadrinhos infelizmente já devia estar acostumado com esse tipo de coisa. Os quadrinhos sempre foram uma forma de arte marginalizada por tudo e por todos e agora que Hollywood descobriu o filão de filmes baseados em personagens de quadrinhos (sejam super-heróis ou outros) parece que todo mundo resolveu dar atenção para os quadrinhos.

Muitos conceitos e idéias vistos em filmes não são nenhuma novidade para os leitores que há tempos convivem com conceitos que apenas agora são levados ao grande público através do cinema, televisão e internet e antes disso esses conceitos foram vistos na literatura. A última grande sensação do momento é a edição da revista em quadrinhos Mystery Tales n.º 40 publicada em 1956 pela Marvel que aparece em um capítulo da série de televisão Lost e nesta revista (não por acaso) é possível ler histórias com elementos iguais aos vistos na televisão. A própria série Lost com freqüência exibe livros com temas semelhantes aos mostrados no seriado e que causam furor entre os fãs.

Uma mídia se apropriando da outra não é novidade e quanto mais informações o espectador possuir, mais capaz ele será de interpretar o que acontece a sua volta. Os Invisíveis – Revolução 1 colabora neste sentido, oferecendo um vasto e sortido universo de informações, além de boas histórias e desenhos. Isso tudo ainda não pode ser visto nesse primeiro arco de histórias, mas com o avançar da série e com as páginas desenhadas por Phil Jimenez a coisa toda melhora consideravelmente, além das capas fantásticas criadas por Brian Bolland, todas devidamente reproduzidas em cada encadernado. A leitura de Os Invisíveis é garantia de passar horas agradáveis com boa leitura e você ainda vai saber em primeira mão o que os roteiristas de cinema e televisão vão fazer no futuro.

Franklin Ruão

 

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

Para comprar os números antigos da versão impressa, clique aqui.