O Incrível Hulk

THE INCREDIBLE HULK. (EUA, 2008) De Louis Leterrier. Com Edward Norton, Liv Tyler, William Hurt, Tim Roth, Tim Blake Nelson. Paramount. Projeção: 2.35:1 114 min.



Em uma cena esperta de O Incrível Hulk, Lou Ferrigno, o monstro esverdeado do seriado de TV, aparece como um porteiro e ao ser subornado por Bruce Banner (Norton) responde: "estou contigo, brother". Está reconhecida a irmandade desta nova aventura do herói com a série de sucesso na década de 70. Tem mais: numa outra cena, Banner pede carona numa estrada. É noite, e chove. A cena remete aos finais dos episódios antigos, quando Banner, depois de ser descoberto, era obrigado a abandonar a cidade em que havia estabelecido moradia - às vezes, família. A música final dos episódios é insinuada em alguns momentos no filme.

A obsessão pelo seriado - ou por ser totalmente diferente do Hulk de Ang Lee? - faz com que o herói viva em diversas cidades. Ele é inicialmente apanhado no Brasil por uma câmera atenta, que capta os programas de TV da época (Vila Sésamo entre eles), e, importante notar, que filma a favela grandiosa como a vemos na vida real, não fragmentada como aparece nos filmes brasileiros. Tanto mais irônico se essa favela tiver recebido tratamento de ampliação no computador.

Nesse longo interlúdio em solo brasileiro, vemos personagens falando português de dublagem do SBT, e Rickson Gracie ensinando respiração, com um carioquês da gema, a um paciente e atento Edward Norton. A piada vem na forma de dois tabefes dados pelo lutador no astro com cara de menino. É um gozador, esse Leterrier.

O filme vai incrivelmente bem, até assumir que vai deixar pontas soltas de propósito. Aí a coisa ameaça degringolar, o que felizmente não acontece pela mão hábil e brincalhona de Louis Leterrier (diretor de Cão de Briga, interessante bobagem com Jet Li). Quando um vilão tem final simbólico, outro termina confrontado por uma promessa futura de crossover (cruzamento de histórias com heróis diferentes, prática muito comum nos quadrinhos), a heroína olha o horizonte novaiorquino, e um letreiro digitalizado como no início da década de 80 aparece em cena que tem, em primeiro plano, Banner prestes a se transformar novamente no monstro verde, podemos esperar tudo de desafiador e irreverente numa próxima aventura. Leterrier parece o cara certo para o emprego, se o relativo fracasso de bilheteria não tiver atrapalhado os planos. Só não venham comparar com o Hulk de Ang Lee, que aí ele perde feio.

Sérgio Alpendre

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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